Há dizeres que, ao fim ao cabo, não dizem realmente nada!! " Ao fim ao cabo"... ou ao fim, ou ao cabo, quanto muito, ao fim do cabo!! Ou em brasileiro, "afim do cabo"... já nada sei.
Apenas constato que me dói ver assim a comunicação tão baralhada! Uma miopia perceptiva crónica... muito desculpada pelo "pois..." Eu próprio, a cada frase, costumo acrescentar um "entendes?"- sinto que dá um espírito solene e de extrema veracidade à mais pura barbaridade proferida, além de ser aplicado sempre retoricamente. Ai daquele que me for respondendo: " entendo". Está a loiça partida, a pintura borrada- embora esta seja uma escolha semântica vulgar, é perfeitamente elucidativa, remete a grande barraco, que é no fundo o que meu ego sente na sua fervilhação. Aí... elaboro nova frase, se for preciso acelero o ritmo, na procura de uma não resposta... daquele silêncio em que os olhares são desviados, mirando as palavras (sábias...), perdendo-se no espaço. Mais um gole no café e a conversa retoma novo rumo. No âmago o ego volta a sentar-se, descansado, no seu trono!!
Isto tudo para falar de sentidos dúbios e totais inversões de marcha. O sentimento nasceu parvo e desde o começo do jogo que sempre pôde andar quantas casas quisesse, nas mais variadas direcções, faz de cavalo, de bispo e quiçá até de espírito! Mas que confusão de palavras! Estas são provas irrefutáveis do estado das comunicações, estas mesmas já nem se afirmam sem um Tele sempre atrás! Eu próprio afirmo em plena consciência que nunca disse nada de jeito na vida! "De jeito", como se boa frase fosse filha de Jeito, em vez de com jeito!! O jeito seduz-se, como para casar, se casa com. Falam-se coisas com jeito. É assim...baralhações mil. Pensei já afogar todos os dicionários, segundo Mia Couto, as palavras boiam. Talvez depois as pudesse arrumar assim muito alinhadinhas, em balões em torno de cada personagem, podia decidir coisas lindas para se dizer. A cada um caberia fazer ecoar algumas coisas. Pode depois gastar-se em lamentações de as ter perdido, mas pode sempre ganhar mais escutando, ou então estagnar-se de papo para o ar e coçar a barriga, enquanto as suas ecoam pelo mundo fora até que cheguem de volta, que às vezes vêm com mais brindes, porque como se diz: "quem conta um conto acrescenta sempre um ponto..."
Este ditado é uma perfeita tonteira, acrescentando pontos mudamos de facto o sentido, mas acredita-se é que se acrescentem factos,dados à história contada; ninguém pensou então que a porcaria dos pontos quebra a história? E quem nos garante que não ponham é de vez um PONTO FINAL?
Wednesday, April 04, 2007
Thursday, March 22, 2007
Existe a bela paixão pelas "vidas diferentes", dias passados no imaginar de tantas desassemelhanças! Mais tempo é passado nos "e ses", que no fazer propriamente feito! Geração vergonhosa esta, na qual a luta foi falada e esperança não vai além da vontade semi-imediata de satisfação. Homem não nasceu para ser facilitado, mesmo. Quando o é, esquece a virtude de ser Homem, arrastando ociosidades!
O problema é inquilino omnipresente... Mas, aqui ele cresce de vaidade. Não sendo falado, leva uma vida anoréctica, quase sem se molhar à chuva!
Em grandes lugares, a falta de problema é que passa fome. Até criança toma conta de criança, enquanto adulto trabalha em invenções de serviço.
"A vida é dura para quem é mole"- Pfuu, só mesmo para quem enfrenta os bisnetos dos problemas, aqueles probleminhas bem pequenininhos que fazem cócegas ou mordem os dedos dos pés. Esses chateiam, mas não impedem caminho!
A OPORTUNIDADE, é menosprezada. Se fosse mais prezada, mais nasceriam.
( to be continued...)
A Ondjaki e Kiluange, a propósito do documentário:" Oxalá, cresçam Pintangas"
O problema é inquilino omnipresente... Mas, aqui ele cresce de vaidade. Não sendo falado, leva uma vida anoréctica, quase sem se molhar à chuva!
Em grandes lugares, a falta de problema é que passa fome. Até criança toma conta de criança, enquanto adulto trabalha em invenções de serviço.
"A vida é dura para quem é mole"- Pfuu, só mesmo para quem enfrenta os bisnetos dos problemas, aqueles probleminhas bem pequenininhos que fazem cócegas ou mordem os dedos dos pés. Esses chateiam, mas não impedem caminho!
A OPORTUNIDADE, é menosprezada. Se fosse mais prezada, mais nasceriam.
( to be continued...)
A Ondjaki e Kiluange, a propósito do documentário:" Oxalá, cresçam Pintangas"
Wednesday, March 21, 2007
O dia começa, com a terra chutando o sol para o alto. É engraçado, que onde o calor se dá, tudo se vai fazendo. Onde o frio aperta, tudo se faz! Excepção será para além do Tejo, que em grande parte, frio se dá e continua-se ...endo...
Mas então o dia começou, apesar de já se ir gastanto, muito falta para o movimento acordar! O povo, tem daqueles que acordam, outros que vão acordando. Mas em unidade... povo demora em se levantar. Demora-se no silêncio e numa conformação cabisbaixa.
- " Quem olha para o alto, respira ar mais puro"- Dizia José de Manias, em constante assédio ao céu, o mesmo que acreditava que o evoluir da espécie tem de passar por uma inversão completa do nariz, já que as cidades só acumulam poeira e que com tanta política, o cérebro já está bem farto de merda!! Mas como tornar mais apta a inversão do nariz? Mais depressa cérebro se desfaz, pensava eu baixinho (mas longe do chão!!), mas ele respondia-me sempre:- " Mais depressa vivemos então no mar, e as ondas que nos levem a poeira, não é?"
Tó ao Vento, achava tudo isso correntezas incertas!! "Quem sabe, se não é a poeira, em suas particulas, a nos revitalizar? Nestes anos todos, vacinamo-nos contra outros, quem nos vacinará contra nós? "
Toda a manhã o discurso se fazia, bem ensaiado! A cada deixa, ligeira pausa... esperavam sangue novo da boca do povo. Mas, cabeças bem preguiçosas os deixavam em eterno diálogo...
Deixando os grandes, partia para a doca. Todas as manhãs, via as ondas chegar e os barcos partir. Tinha sempre aquele aperto na barriga, porque seguindo as leis do toma-lá-dá-cá, não era justo para o mundo, ao fim da tarde, as ondas continuarem a vir e os barcos chegarem também. Maria, de Pedro Embarcadeiro, me descansava sempre:" Não é preciso deixar a Vida. Todos os dias se deixa tempo, trabalho, esforço, sonhos e vontades! Por se deixar tanto, o Mar vem sempre, umas vezes mais que outras." E sorria, me passando a mão na cabeça. Corria então para lá, para os meus outros afazeres. Mas hoje, que o dia começou de todas essas maneira, me apeteceu desistir. De ouvir os homens falar, a barriga apertar e de Maria sorrir.
Foi assim, que hoje percebi, que mesmo desistindo eu, o mundo lá fora para mim, estaria sempre igual. Porque para mim, os homens falariam sempre, a minha barriga outros apertos teria e Maria, que mais tinha que fazer?
Mas então o dia começou, apesar de já se ir gastanto, muito falta para o movimento acordar! O povo, tem daqueles que acordam, outros que vão acordando. Mas em unidade... povo demora em se levantar. Demora-se no silêncio e numa conformação cabisbaixa.
- " Quem olha para o alto, respira ar mais puro"- Dizia José de Manias, em constante assédio ao céu, o mesmo que acreditava que o evoluir da espécie tem de passar por uma inversão completa do nariz, já que as cidades só acumulam poeira e que com tanta política, o cérebro já está bem farto de merda!! Mas como tornar mais apta a inversão do nariz? Mais depressa cérebro se desfaz, pensava eu baixinho (mas longe do chão!!), mas ele respondia-me sempre:- " Mais depressa vivemos então no mar, e as ondas que nos levem a poeira, não é?"
Tó ao Vento, achava tudo isso correntezas incertas!! "Quem sabe, se não é a poeira, em suas particulas, a nos revitalizar? Nestes anos todos, vacinamo-nos contra outros, quem nos vacinará contra nós? "
Toda a manhã o discurso se fazia, bem ensaiado! A cada deixa, ligeira pausa... esperavam sangue novo da boca do povo. Mas, cabeças bem preguiçosas os deixavam em eterno diálogo...
Deixando os grandes, partia para a doca. Todas as manhãs, via as ondas chegar e os barcos partir. Tinha sempre aquele aperto na barriga, porque seguindo as leis do toma-lá-dá-cá, não era justo para o mundo, ao fim da tarde, as ondas continuarem a vir e os barcos chegarem também. Maria, de Pedro Embarcadeiro, me descansava sempre:" Não é preciso deixar a Vida. Todos os dias se deixa tempo, trabalho, esforço, sonhos e vontades! Por se deixar tanto, o Mar vem sempre, umas vezes mais que outras." E sorria, me passando a mão na cabeça. Corria então para lá, para os meus outros afazeres. Mas hoje, que o dia começou de todas essas maneira, me apeteceu desistir. De ouvir os homens falar, a barriga apertar e de Maria sorrir.
Foi assim, que hoje percebi, que mesmo desistindo eu, o mundo lá fora para mim, estaria sempre igual. Porque para mim, os homens falariam sempre, a minha barriga outros apertos teria e Maria, que mais tinha que fazer?
Pássaro, voo, terra, relva, praia, sol, nuvem, chuva, água, molha, pingo, riso, tremura, salto, quente, sopa, batata...hehehe, quem precisa de pautas, quando podemos dar belos tons às palavras? Não vim com ritmo, nem ginga e meu pé esqueceu de trazer o samba. Esqueço então a vibração e as orelhas! Arranjo outras formas de brincar também! Abano os dedinhos dentro do sapato, avanço um pé e faço uma roda de 360º, está marcado o compasso!!
Tuesday, March 20, 2007
Compulsões!!
Serão todos os verbos compulsões, mais ou menos escondidas, nessa incandescência que é o dia? Comemos, porque o temos de fazer. Fazemos o que temos que comer. Comemos o que fazemos para termos (...) . Temos que comer para (...) fazer. Fazemos para comer o que temos. Temos, o que fazemos para comer.
Só em três verbos, me compulsionei!Me excedi! Tudo são palavras e complicações compulsionadas! Não acho tempo para tanta animação lírica!! Me esgoto, me canço! Desmedidamente me compulso... faz sentido: hipertensão. Não tenho nem vagar, muito menos devagarinho, para perceber a porra de todos estes bocadinhos, pormenores que traduzem o maior desses "pores" todos, a tal ambição sem metro, ou tamanho ou que raio é!!
Compulsiono-me, pah! Simples? NADA!! Mas se é complicado, simples se torna de definir: COMPLICADO! Uma palavrinha apenas, sinonimizando todos esses mundinhos estranhos por aí.
E VOILÁ!! Achei!!! A compulsão vem mesmo da Palavra:
" Compulsão: s.f. Acto de compulsar"
" Compulsar: [Do lat. compulsare] 1. v.tr. Examinar, lendo 2. v. tr. Percorrer, folhear, consultando (livros ou documentos) "
Veio a noite.
Finalmente, descanso!
Porque:
Verbo de noite, faz ó ó!!!
Só em três verbos, me compulsionei!Me excedi! Tudo são palavras e complicações compulsionadas! Não acho tempo para tanta animação lírica!! Me esgoto, me canço! Desmedidamente me compulso... faz sentido: hipertensão. Não tenho nem vagar, muito menos devagarinho, para perceber a porra de todos estes bocadinhos, pormenores que traduzem o maior desses "pores" todos, a tal ambição sem metro, ou tamanho ou que raio é!!
Compulsiono-me, pah! Simples? NADA!! Mas se é complicado, simples se torna de definir: COMPLICADO! Uma palavrinha apenas, sinonimizando todos esses mundinhos estranhos por aí.
E VOILÁ!! Achei!!! A compulsão vem mesmo da Palavra:
" Compulsão: s.f. Acto de compulsar"
" Compulsar: [Do lat. compulsare] 1. v.tr. Examinar, lendo 2. v. tr. Percorrer, folhear, consultando (livros ou documentos) "
Veio a noite.
Finalmente, descanso!
Porque:
Verbo de noite, faz ó ó!!!
Monday, March 19, 2007
Está claro, agora, que o Equilíbrio se faz na cabeça, através das vibrações no ouvido interno. É claro!!! É aquela voz ténue, que voa baixinho dentro de nós, nos dizendo sempre aquilo que não se quer deixar entender por essas vontades do Ser. O Equilíbrio não se faz à custa da fala, nem do olhar, nem do cheiro, muito menos do sentimento.
Quando não se ouve direito... anda-se torto. Há quem ande em circulos e outros de lado. Não é problema de cabeça, mas de sistema! Erros de fabrico difíceis de fazer engrenar em outras realidades... É estranho. Conseguir funcionar com certezas, quando o certo se faz no equilíbrio que não se é! Mas... aprende-se! Anda-se em circulos, mas faz-se sempre caminho, não sendo nunca o percurso, nem quem o percorre exactamente o mesmo.
“Sujeite-se ao efeito, e não busque descobrir a natureza da causa.” - Lao Tsé
Conclusão: REBOOT IF NECESSARY!!!
Quando não se ouve direito... anda-se torto. Há quem ande em circulos e outros de lado. Não é problema de cabeça, mas de sistema! Erros de fabrico difíceis de fazer engrenar em outras realidades... É estranho. Conseguir funcionar com certezas, quando o certo se faz no equilíbrio que não se é! Mas... aprende-se! Anda-se em circulos, mas faz-se sempre caminho, não sendo nunca o percurso, nem quem o percorre exactamente o mesmo.
“Sujeite-se ao efeito, e não busque descobrir a natureza da causa.” - Lao Tsé
Conclusão: REBOOT IF NECESSARY!!!
Saturday, February 24, 2007
João de Nada, resolveu juntar todos os seus pequenos alguns, para fazer uma qualquer coisa. Coisa essa, que de nada consistia e de pouco precisava. Seria então o rei de faz de conta, ou melhor o rei do faz de continho, porque sabia que a sua propria história o fazia assim, bem pequininho.
Um dia em que João de Nada fazia assim muito poucochinho se apaixonou por Maria Que-Quer-Tudo. Chorou, rebolou e se refez. Não se tornou João de Tudo, porque achou que o Destino os juntava de qualquer maneira, uma vez que sendo Tudo, tudo poderia perder, sobretudo quem tudo quer, tornaria Maria em Maria Que- Tudo- Perde- Tudo- o-que -Quis. Por isso esperou... Até que finalmente um dia, Maria Que-Tudo-Quer viu que o Tudo só pode existir no Nada e que não tendo Nada, teria Tudo.
Maria Que-Tudo-Quer casou com João de Nada.
Moral da História: Qualquer história é imoralmente bonita!!!
Ps- Alguns anos depois, fomos ver Maria Que-Quer-Tudo e João de Nada, com os seus filhos: José de Sim, Manuel de Não e Joana de Assim-Assim!
(To be continued...)
Um dia em que João de Nada fazia assim muito poucochinho se apaixonou por Maria Que-Quer-Tudo. Chorou, rebolou e se refez. Não se tornou João de Tudo, porque achou que o Destino os juntava de qualquer maneira, uma vez que sendo Tudo, tudo poderia perder, sobretudo quem tudo quer, tornaria Maria em Maria Que- Tudo- Perde- Tudo- o-que -Quis. Por isso esperou... Até que finalmente um dia, Maria Que-Tudo-Quer viu que o Tudo só pode existir no Nada e que não tendo Nada, teria Tudo.
Maria Que-Tudo-Quer casou com João de Nada.
Moral da História: Qualquer história é imoralmente bonita!!!
Ps- Alguns anos depois, fomos ver Maria Que-Quer-Tudo e João de Nada, com os seus filhos: José de Sim, Manuel de Não e Joana de Assim-Assim!
(To be continued...)
Tuesday, February 13, 2007
Desenhar pintas com os pés é bem mais fácil que coçar a cabeça
Não percebo isso das palavras, cheias de "aí não me toques..."!!! Está mal!! As palavras, deviam ser só paixão, desejo e Amor. Se repararmos bem, as pessoas desinteressadas movem-se monossilabicamente e as desintegradas falam muito rapidamente...
A virtude, como é suposto estar sempre entre qualquer coisa, hoje estará no fim de todas elas... Nem entre a espada, nem a parede, simplesmente lá fora...no Jardim.
Gostava de poder entender realmente esses bichinhos que nos pegam e viram do avesso. Passo a vida revirado, por isso nada contendo. Mas se um dia quiser viajar a sério? Partir dentro de mim à deriva, sem data para chegar? Não posso ser revirada, porque perderei sempre a minha bagagem. Por vezes, finjo ser sopa... outras uma pessoa séria. Mas o mais divertido é ser sopa, vestida de pessoa séria. Há ocasiões em que queima, outras em quase me afogo, senão mantenho a discernidade.
A virtude, como é suposto estar sempre entre qualquer coisa, hoje estará no fim de todas elas... Nem entre a espada, nem a parede, simplesmente lá fora...no Jardim.
Gostava de poder entender realmente esses bichinhos que nos pegam e viram do avesso. Passo a vida revirado, por isso nada contendo. Mas se um dia quiser viajar a sério? Partir dentro de mim à deriva, sem data para chegar? Não posso ser revirada, porque perderei sempre a minha bagagem. Por vezes, finjo ser sopa... outras uma pessoa séria. Mas o mais divertido é ser sopa, vestida de pessoa séria. Há ocasiões em que queima, outras em quase me afogo, senão mantenho a discernidade.
Friday, October 06, 2006
Lá corre a saudade pelas avenidas. Lá vem a melancolia desta cidade despida, escura e vadia! Ai, se não fosse este céu que nos guarda, cairiamos no abismo da noite sem dia? Desse dia sem Sol, só escuro? Diz-se que o espaço é assim: feito de escuro, pintalgado de claro. Mas o claro vem de longe...há muito que vem. Mas nunca chega. É o vai vindo!
Nesta cidade as coisas são a sério. A vida aqui não é de brincar. Não se sorri, nem se olha para o lado. Faz-se e desfaz-se tempo. Faz-se em espera por chegar a algum lado, por alguém ou por coisa nenhuma. Desfaz-se em corridas, contratempos e em coisas muitas.
Sou de uma raça diferente. Não vivo aqui, nem em sítio algum, o que é bom porque não me podem nunca desalojar. Mas também, nesta vida, já fiz muito nenhum e já me cansei de esperar!!!
Nesta cidade as coisas são a sério. A vida aqui não é de brincar. Não se sorri, nem se olha para o lado. Faz-se e desfaz-se tempo. Faz-se em espera por chegar a algum lado, por alguém ou por coisa nenhuma. Desfaz-se em corridas, contratempos e em coisas muitas.
Sou de uma raça diferente. Não vivo aqui, nem em sítio algum, o que é bom porque não me podem nunca desalojar. Mas também, nesta vida, já fiz muito nenhum e já me cansei de esperar!!!
Monday, October 02, 2006
…o pior, é que o ouvi mesmo gritar: “ EU NÃO SOU ATEU!!”, mesmo antes de desaparecer por baixo daquelas rodas gigantes do camião do lixo. Raios partam esta vida! Diz-se o homem crente e os desperdícios da raça o atropelam e quase o desfazem, de encontra ao asfalto. “ Era apenas um teste…” ouviu-se o vento burburinhar. De que nos valem esses testes? Isto já parece anúncio televisivo “testado pelas principais marcas”. Sim, sim… este pobre diabo foi testado pelas principais divindades…mas nem por isso lhe dão garantias. Nem por um dia.
Pois é, nesta catárse, nada se safa. Todos e tudo têm seu desempenho pronto a figurar. Está tudo meticulosamente pensado desde o mais minucioso pormenor, ao mais bruto pormaior.
Ainda dizem que as gentes é que têm manias! Haverá esquizofrénico mais complexo que esse chamado Destino? “ Apenas planeio caminhos”- disse-me uma vez, antes de lhe conhecer a fama. Estranhei. Mas até engracei com o tipo, sempre bem arranjado, ar de menino. Mas pelo que consta anda na vida há mais tempo do que as meninas da própria… Afinal há profissões mais antigas!
Pois é, nesta catárse, nada se safa. Todos e tudo têm seu desempenho pronto a figurar. Está tudo meticulosamente pensado desde o mais minucioso pormenor, ao mais bruto pormaior.
Ainda dizem que as gentes é que têm manias! Haverá esquizofrénico mais complexo que esse chamado Destino? “ Apenas planeio caminhos”- disse-me uma vez, antes de lhe conhecer a fama. Estranhei. Mas até engracei com o tipo, sempre bem arranjado, ar de menino. Mas pelo que consta anda na vida há mais tempo do que as meninas da própria… Afinal há profissões mais antigas!
Sunday, October 01, 2006
Agora é tarde… Espero que Hoje já não o seja. Queria criar…ou Ser Natureza e tudo transformar. Poder atribuir novas cores aos dias e novas horas às coisas! Queria no fundo trazer o longe para perto. Fazer da certeza uma torta e das dúvidas um bolo de chocolate. E comer… comer… deliciar-me e fazê-las seguir o devido curso!
Quero moldar o mundo com a minha forma desformada, sem medidas nem pontos. Queria a loucura bem perto, arranjar-lhe um pratinho e dar-lhe comida, todos os dias enquanto, de uma forma carinhosa, a domesticava. Queria deixar a sanidade, à solta… perdê-la em trânsito num aeroporto…De certeza que a teria de despachar como bagagem “disforme”… mas não sei sequer se vem com líquidos ou não… “Sanidade”- parece-me tudo muito sólido…
E assim regresso…a estas outras maneiras (ou formas!) de ser, em que as letras, uma vez iguais, disfarçam tudo o resto…
Quero moldar o mundo com a minha forma desformada, sem medidas nem pontos. Queria a loucura bem perto, arranjar-lhe um pratinho e dar-lhe comida, todos os dias enquanto, de uma forma carinhosa, a domesticava. Queria deixar a sanidade, à solta… perdê-la em trânsito num aeroporto…De certeza que a teria de despachar como bagagem “disforme”… mas não sei sequer se vem com líquidos ou não… “Sanidade”- parece-me tudo muito sólido…
E assim regresso…a estas outras maneiras (ou formas!) de ser, em que as letras, uma vez iguais, disfarçam tudo o resto…
Saturday, April 22, 2006
Thursday, March 30, 2006
Do outro lado da sobriedade encontrei uma ideia...um pensamento que surgiu de uma sensação... no começo, sem perceber, arrisquei e lancei essa ideia no ar... fez-se papagaio e voou. Hoje...apenas uns dias depois, essa ideia se tornou céu, se tornou ar e se fez sentido. Creio que a proxima metamorfose o tornará água, espaço e por fim: AMOR!
to someone special
" (...) I know I’m not wrong... this feeling’s gettin’ stronger The longer, I stay away(...)"
by-louis armstrong
to someone special
" (...) I know I’m not wrong... this feeling’s gettin’ stronger The longer, I stay away(...)"
by-louis armstrong
Sunday, March 26, 2006

" Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem sua metade de frio.
Eu amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e não deixar de amar-te nunca:
por isso é que ainda te não amo
Amo-te e não amo como se tivesse
nas minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino infortunado
Este amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso amo-te quando não te amo
e por isso amo-te quando te amo"
Pablo Neruda
Monday, February 13, 2006
Descobri que o que passa é moldável. Faz-se pegajoso e insistente, mas é louvadamente reciclável. Une-se. Em matéria e em sentido. Une-se. Torna-se e retorna-se readquirindo uma nova voz. Pode ser som ou magia. Um simples pirlim pim pim. Más bienvinido!! pero que la alma prende el fuego! ah...sentimento renhido de amar som...de amar sentidos e letras. Quero aprender a voar! Sei que passo demasiado tempo lá fora, sem os pés no ar. E aí...perco-me! Eu já não existo!! Xiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuu.........
Saturday, February 04, 2006
É difícil perceber qual é ao certo o papel do silêncio. Umas vezes veste-se de vazio, outras de complemento. Já me apareceu, fantasiado de glutão, debicando dor, mágoa, garotices e disparates... Já me apareceu, feito bicho papão, obrigando-me a recear o escuro...
Parece que em tudo...só se pode ser realmente...em meia medida. Senão, nada faz mesmo sentido.
Ou somos nós, que existimos demasiado e inexistimos de todo...ou são as coisas...que podem ser ou não...e nessa incerteza, se repetem...ad eternum... Portanto...hoje sou só meia. Meia medida. Meia pessoa....Meia certeza...Mas assim, quantas inteiras ao todo seria? Talvez seja esse o elixir da sanidade, o da pura ilusão! Assim, todas as meias posso ser, querer e coleccionar...porque serei sempre uma. Conto como número inteiro, oficialmente. E hoje sou um número. O número um.
" One is the loneliest number
That you'll ever do
One is the loneliest number
Much much worse than two
One is a number divided by two" - Aimee Mann
Parece que em tudo...só se pode ser realmente...em meia medida. Senão, nada faz mesmo sentido.
Ou somos nós, que existimos demasiado e inexistimos de todo...ou são as coisas...que podem ser ou não...e nessa incerteza, se repetem...ad eternum... Portanto...hoje sou só meia. Meia medida. Meia pessoa....Meia certeza...Mas assim, quantas inteiras ao todo seria? Talvez seja esse o elixir da sanidade, o da pura ilusão! Assim, todas as meias posso ser, querer e coleccionar...porque serei sempre uma. Conto como número inteiro, oficialmente. E hoje sou um número. O número um.
" One is the loneliest number
That you'll ever do
One is the loneliest number
Much much worse than two
One is a number divided by two" - Aimee Mann
Sunday, January 15, 2006
Achei oportuno partilhar o sono que tenho! O sono que me fazem os discursos ensaiados e a irritabilidade sonolenta da vaidade...Achei oportuno gritar bem alto para quebrar o ruído monocórdico das existências em ressureição, mas não tinha que dizer.... Achei oportuno chorar lágrimas de pura tristeza, mas estava demasiado cansado. Pensei em desistir, mas nem caminho há mais para isso. Pensei em jogar tudo para o alto... mas até a gravidade está mais forte que eu.
Rendi-me ao desconforto...à nausea e... impeli o vómito, e eis: O MUNDO! Não é assim tão grande, que não possa a qualquer momento ser devorado...mas demasiado complexo... tem azedumes que acidificam demasiado, o pH do estômago... é.... comer mundos, não é para qualquer um.... cansa demasiado....é então, melhor dormir descansado na falsa segurança do seu espaço.
Rendi-me ao desconforto...à nausea e... impeli o vómito, e eis: O MUNDO! Não é assim tão grande, que não possa a qualquer momento ser devorado...mas demasiado complexo... tem azedumes que acidificam demasiado, o pH do estômago... é.... comer mundos, não é para qualquer um.... cansa demasiado....é então, melhor dormir descansado na falsa segurança do seu espaço.
Friday, January 06, 2006
Conspirações no Mar Vermelho
Em tempos de fantasmas.... os sustos dão lugar a uma vida noutros tons.... escuros....claros..... frios! A única forma de combater esse inverno incolor, era arranjar imagens mentais que se entranhassem nas fissuras e reentrâncias da cabeça, num novo Chakra...ou a junção de todos eles, numa simples imagem...
Agora que tinha a ideia, tudo parecia simples. Mas, a escolha de uma imagem alegórica, em tempos de nazismos pensamentais, pode ser sinónimo de suicídio.
Tentei poupar a cabeça...mas era quase impossível. Arriscava a morte...mas, lutaria até ao fim. No coração, sempre viveu uma revolução e agora, as ideias faziam-se finalmente senhoras, abrindo-lhe os portões daquele anonimato enclausurado. O sentimento, fez-se Paixão e como paixão que era, passou à acção. Manteve-se emotivamente apaixonado, mas amadureceu fazendo-se Amor! E cresceu num sonho que me salvava a vida...e justificava uma existência! O meu quadro é claro: Um mar....cheio de força....a vida colorida a vermelho....e a cínica dualidade das "conspirações".
Estava safo....
Agora que tinha a ideia, tudo parecia simples. Mas, a escolha de uma imagem alegórica, em tempos de nazismos pensamentais, pode ser sinónimo de suicídio.
Tentei poupar a cabeça...mas era quase impossível. Arriscava a morte...mas, lutaria até ao fim. No coração, sempre viveu uma revolução e agora, as ideias faziam-se finalmente senhoras, abrindo-lhe os portões daquele anonimato enclausurado. O sentimento, fez-se Paixão e como paixão que era, passou à acção. Manteve-se emotivamente apaixonado, mas amadureceu fazendo-se Amor! E cresceu num sonho que me salvava a vida...e justificava uma existência! O meu quadro é claro: Um mar....cheio de força....a vida colorida a vermelho....e a cínica dualidade das "conspirações".
Estava safo....
Sunday, November 20, 2005
As saudades levam a comer bolas de Berlim
Se pudesse eliminava do meu diccionário a palavra "saudade". Sim, arrancava a folha e engolia-a! Talvez só não fale do que tenho cá dentro, com medo dele sair pela boca. Talvez tb, não fale do que tenho cá dentro com medo de se tornar sombra...talvez cá dentro tenha a vantagem de ter alguns enterócitos feitos máquinas de caça-fantasmas, que aprisionam pesadelos e hemácias em circulação, que partilham sonhos.
Às vezes tenho comichão na barriga por causa disso...Mas, à lei da Natureza: everything will turn out fine, afogo as saudades em bolas de Berlim... e troco a comichão por dores de barriga!
Às vezes tenho comichão na barriga por causa disso...Mas, à lei da Natureza: everything will turn out fine, afogo as saudades em bolas de Berlim... e troco a comichão por dores de barriga!
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